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68butt ELA VIU A CAUDA DO BEBÊ — ENTÃO UMA CAUDA GIGANTESCA SURGIU NO OCEANO

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Mara abriu os braços diante de Naiá enquanto a onda gigantesca avançava. “Não chega perto dela!” gritou, mesmo com as pernas tremendo. O rugido vindo do fundo do oceano respondeu tão forte que as pedras vibraram sob seus pés.

A água recuou de repente, revelando uma enorme silhueta verde-jade. Mara apertou os punhos. “Se quiser levar essa criança, vai ter que passar por mim.” Naiá, porém, começou a balançar os braços alegremente.

Mara olhou para trás, confusa. “Você... conhece aquilo?” Naiá soltou um pequeno som feliz e estendeu as mãos para o mar. Nesse instante, Mara percebeu que não havia medo algum nos olhos da criança.

Uma segunda onda chegou, mas parou suavemente aos pés de Mara. Do oceano surgiu uma criatura colossal, mostrando apenas parte do rosto e os mesmos olhos verdes de Naiá. Mara sussurrou: “Meu Deus... você é a mãe dela.”

A criatura soltou um chamado profundo. Naiá respondeu com um choro emocionado. Mara abaixou lentamente os braços. “Eu achei que você fosse machucar ela...” A enorme sereia inclinou a cabeça, como se compreendesse.

Mara pegou Naiá cuidadosamente pela primeira vez. “Tá tudo bem, pequena. Ela veio buscar você.” Naiá tocou o rosto de Mara antes de estender novamente os braços para a mãe.

Quando Mara entrou na água até os joelhos, uma sombra menor surgiu atrás da criatura adulta. Ela parou imediatamente. “Tem mais de vocês?” Três pequenas nadadeiras apareceram por alguns segundos e desapareceram entre as ondas.

A grande sereia se aproximou sem agressividade. Mara entregou Naiá e disse: “Cuida dela melhor do que eu conseguiria.” Naiá agarrou um dedo de Mara uma última vez antes de ser levada para o colo da mãe.

Então a criatura adulta estendeu a mão e colocou algo na palma de Mara: uma escama dourada brilhante. Mara arregalou os olhos. “Isso é pra mim?” A sereia respondeu com um canto baixo e tranquilo.

De repente, motores surgiram atrás das dunas. Mara virou-se e viu homens chegando com câmeras e redes. “Droga... eles viram vocês.” Um deles gritou: “Mara! Afasta! Isso vale uma fortuna!”

Mara colocou-se novamente diante do mar. “Ninguém vai tocar nelas!” O líder riu. “Sai da frente. Você ficou maluca?” Mara fechou a mão sobre a escama. “Não. Finalmente entendi o que precisa ser protegido.”

Os homens avançaram, mas a sereia adulta bateu a enorme cauda. Uma onda brutal derrubou equipamentos e espalhou todos pela areia. Mara gritou: “Eu avisei!”

Enquanto os invasores fugiam, o oceano começou a se acalmar. Naiá apareceu uma última vez nos braços da mãe. Mara sorriu entre lágrimas. “Vai, pequena. Volta pra casa.”

A sereia mergulhou com Naiá, e dezenas de sombras acompanharam as duas para águas profundas. Mara apertou a escama contra o peito. “Seu segredo morre comigo.” O mar respondeu com um último canto distante.

Anos depois, Mara ainda pescava naquela mesma praia e nunca contou a ninguém o que realmente aconteceu. Quando sua filha perguntou sobre a escama dourada em seu colar, ela sorriu e respondeu: “Foi um presente de uma mãe que veio buscar a filha.” A menina perguntou: “Você teve medo?” Mara olhou para o oceano tranquilo e disse: “Tive. Mas naquele dia aprendi que nem tudo que é desconhecido é um monstro.”








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