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32b-Quem É Essa Mulher de Verdade?

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O silêncio da joalheria ficou tão pesado que até o som do ar-condicionado parecia alto demais. Madame Zhou ainda encarava Lin Xia, esperando uma resposta, mas quem falou primeiro foi o gerente. Com as mãos tremendo, ele colocou o colar sobre o balcão e se curvou levemente diante da jovem. “Senhora Lin… eu não sabia que a senhora viria pessoalmente.” Zhou virou o rosto devagar. “Senhora Lin?” O gerente engoliu em seco. “Ela é a representante da Tianyu Capital.” O sorriso de Zhou desapareceu por completo. Lin Xia apenas guardou o celular na bolsa. “Não precisava dizer nada. Eu queria ver até onde ela iria sozinha.” Zhou tentou rir, mas a voz falhou. “Isso é algum tipo de brincadeira?” Lin Xia olhou para o colar e respondeu com uma calma ainda mais assustadora: “Não. A brincadeira acabou quando você colocou a mão em mim.”

O gerente respirou fundo e revelou o que Zhou jamais imaginara ouvir. “A Tianyu Capital adquiriu, esta manhã, a participação majoritária do grupo Montenegro Ásia. A transferência foi concluída há quarenta minutos.” Zhou empalideceu. “Isso é impossível! Minha família controla aquela empresa há três gerações!” Lin Xia se aproximou apenas um passo. “Controlava.” Zhou apertou a bolsa contra o corpo. “Então o que significa ‘executar tudo’?” Lin Xia manteve os olhos fixos nela. “Significa bloquear a venda dos ativos, suspender as assinaturas da diretoria e iniciar uma auditoria completa.” O gerente acrescentou, quase num sussurro: “Inclusive das contas pessoais ligadas ao conselho.” Zhou recuou. Pela primeira vez, não parecia uma mulher poderosa. Parecia alguém tentando encontrar uma saída num lugar onde todas as portas haviam acabado de se fechar. “Você não pode destruir uma família inteira por causa de um colar!” Lin Xia respondeu: “Não foi por causa do colar. Foi por causa do que você fez para protegê-lo.”

Nesse instante, o telefone de Zhou começou a tocar. Ela olhou para a tela e congelou. Era o próprio filho. Atendeu imediatamente. “Wei? O que aconteceu?” Do outro lado, a voz dele veio desesperada: “Mãe, nossas contas corporativas foram bloqueadas! Os advogados estão dizendo que perdemos o controle do conselho!” Zhou ergueu os olhos para Lin Xia. “Pare com isso agora.” Lin Xia não respondeu. Zhou aumentou o tom. “Você está me ouvindo? Pare!” A jovem tocou discretamente o arranhão em seu pescoço. “Engraçado. Há poucos minutos você dizia que eu precisava aprender o meu lugar.” Zhou olhou ao redor e percebeu todos os clientes observando. O filho continuava gritando no telefone: “Mãe, o que você fez?” Zhou desligou sem responder. Lin Xia então disse: “Seu maior erro não foi me humilhar em público. Foi acreditar que pessoas sem sobrenomes famosos não têm poder.”

Zhou tentou recuperar a postura. “Você acha que dinheiro transforma você em alguém melhor do que eu?” Lin Xia finalmente demonstrou uma pequena emoção — não arrogância, mas desprezo contido. “Não. É exatamente por isso que somos diferentes.” Ela apontou para uma jovem funcionária que permanecia assustada atrás do balcão. “Há seis meses, sua família tentou demitir essa funcionária porque ela se recusou a esconder irregularidades nos certificados dessas joias.” Zhou arregalou os olhos. “Quem contou isso a você?” A funcionária começou a chorar. Lin Xia respondeu: “Ninguém precisou contar. Minha equipe investigou tudo.” O gerente abriu uma pasta digital em um tablet. “Certificados alterados, comissões ilegais, pressão sobre funcionários e transferências não declaradas.” Zhou balançou a cabeça. “Mentiras!” Lin Xia olhou para ela. “Então você vai ter a oportunidade de provar isso. Diante dos auditores.” Zhou percebeu que não estava diante de uma vingança impulsiva. Lin Xia havia preparado tudo muito antes daquele encontro.

Dois homens de terno preto entraram discretamente na joalheria, acompanhados por uma advogada chinesa. Ela caminhou diretamente até Lin Xia. “Senhora Lin, todas as ordens foram executadas. O conselho extraordinário foi convocado.” Zhou se virou para ela. “Quem é você?” A advogada respondeu: “Represento os novos acionistas controladores.” Em seguida, estendeu um documento. “Madame Zhou, a senhora está formalmente afastada de qualquer função administrativa até o término da investigação.” Zhou recusou-se a pegar o papel. “Vocês não podem fazer isso comigo!” Lin Xia respondeu: “Você dizia a mesma coisa para os funcionários que não tinham poder para responder.” Zhou apontou para ela. “Você planejou me humilhar!” Lin Xia balançou a cabeça. “Não. Eu planejei comprar uma empresa. Você decidiu, sozinha, mostrar diante de todos por que aquela empresa precisava mudar.”

Zhou olhou novamente para o colar sobre o balcão. Aquela joia que minutos antes representava sua superioridade agora parecia ridiculamente pequena. Com a voz quebrada, perguntou: “Então você quer o colar?” Lin Xia se aproximou, pegou a peça e a colocou cuidadosamente diante da jovem funcionária que havia sido perseguida. “Não.” Zhou ficou confusa. Lin Xia continuou: “Esse colar será vendido em um leilão beneficente. Todo o valor irá para um fundo de proteção jurídica dos funcionários do grupo.” O gerente não conseguiu esconder um sorriso. Zhou explodiu: “Essa joia pertence à minha família!” Lin Xia repetiu as palavras que havia ouvido minutos antes: “Enquanto ainda era sua.” O salão inteiro permaneceu em silêncio por um segundo, até que uma das funcionárias começou a aplaudir. Depois outra. E outra. Zhou ficou imóvel enquanto o aplauso se espalhava pela joalheria que ela acreditava dominar.

Antes de sair, Zhou parou diante de Lin Xia. Seus olhos estavam cheios de raiva e vergonha. “Você acha que venceu?” Lin Xia respondeu: “Não. Eu só impedi que pessoas como você continuassem vencendo desse jeito.” Zhou respirou fundo. “Um dia você vai perder tudo também.” Lin Xia sorriu pela primeira vez. “Talvez. Mas, quando esse dia chegar, espero não precisar humilhar ninguém para lembrar quem eu sou.” Zhou abaixou os olhos, sem encontrar resposta, e atravessou a porta sob os olhares de todos. O gerente se aproximou de Lin Xia. “Senhora Lin, quer que eu chame um médico por causa do seu pescoço?” Ela tocou o pequeno arranhão e respondeu: “Depois. Primeiro, reúna todos os funcionários. Ninguém será demitido por dizer a verdade novamente.” A jovem funcionária perguntou, emocionada: “Por que a senhora está fazendo tudo isso?” Lin Xia olhou para o reflexo do colar na vitrine e respondeu: “Porque poder de verdade não serve para ensinar alguém a conhecer o próprio lugar. Serve para garantir que ninguém seja obrigado a viver de joelhos.”

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